Esperemos que não seja: e agora,OSP ?

Aqui fica parte do post do Maestro John Neschling,onde é descrita a situação em que se encontram os colegas da OSB,vítimas de um procedimento que o Excelentíssimo Senhor Doutor Henrique Silveira apregoa aos quatro ventos para a Orq. Sinf. Portuguesa.

e agora, OSB ?

Publicado em 31/03/2011 por semibreves

Parece que o impasse em que se encontravam os músicos e a direção artística e administrativa da Orquestra Sinfônica Brasileira chegou ao seu ápice: mais de quarenta músicos do grupo estão sendo demitidos, alegada a justa causa pela administração, por não terem se apresentado às audições de avaliação programadas por seu diretor artístico. Não há dúvida de que a forma com que a direção da orquestra lidou com todo o processo foi truculenta, arbitrária e socialmente injusta. Não há como camuflar a má fé embutida em audições anunciadas durante as férias dos músicos. Não há como esconder a intenção de demitir, quando se adverte que o não comparecimento às provas será encarado como indisciplina grave, e as audições e os métodos de  avaliação não foram objeto de discussão com os músicos e sua comissão. Não há como justificar humanamente a demissão sumária de músicos que fazem parte da orquestra há 20 ou 30 anos e que evidentemente não estão no auge de suas formas. Enfim, o processo revestiu-se de injustiça, prepotência e falta de habilidade desde o seu início até o seu desfecho lamentável. Já escrevi, em vários posts desse blog, a minha opinião sobre a forma com que se encaminhou todo esse imbroglio. Também já refutei energicamente, embora se insista em fazê-lo, a exemplo do que afirmou Roberto Minczuk no jornal “O Globo”,  a comparação entre o processo de reavaliação pelo qual passou a OSESP, quando de minha chegada para reestruturá-la e as audições organizadas pela OSB.  Não posso aceitar que se use o processo pelo qual passou a OSESP em 1997 como desculpa ou justificativa para o trauma e o desarme que se se está fazendo agora na OSB.

Porque é disso que estamos falando: de um desarme, da destruição consciente e voluntária de uma orquestra que existe há 70 anos, que sobreviveu a tempos de vacas magras e que brilhou em tempos de glória, mas que jamais foi apunhalada da forma como a estão apunhalando. A OSB como a conhecemos todos os cariocas e brasileiros há décadas, acabou, foi desmantelada, não existe mais. Nunca imaginei que o “bon mot” que cunhei em outro post ao dizer que em vez de trocar de regente a administração resolveu trocar de orquestra pudesse corresponder exatamente à realidade. Seria cômico se não fosse trágico, pois quem perpetra tal desgoverno é justamente o filho de um dos músicos que criou a aura dessa orquestra. A imprensa, no afã de tentar entender ou explicar o ineditismo da situação, procura paralelos seja em orquestras brasileiras (todas elas vítimas de nossa extrema precariedade ou grupos criados a partir do zero nos últimos anos), seja em grandes orquestras mundiais. Essas, devido às suas estruturas centenárias e às suas qualidades intrínsecas indiscutíveis não servem para comparação com qualquer orquestra brasileira, da OSESP  à Lira São Joanense. No Brasil, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais está engatinhando, a OSESP acabou de entrar na sua adolescência. As Filarmônicas de Berlim, Nova Iorque e Israel certamente não necessitam de qualquer exame de reavaliação, que, estrutrado de forma diferente e organizado de forma mais respeitosa, poderia, sim, ajudar a OSB a dar um salto de qualidade ao qual, em sã consciência, nenhum músico se oporia.(…)

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One Comment on “Esperemos que não seja: e agora,OSP ?”

  1. Vítor Faria diz:

    Não é fácil!
    Enquanto as massas e as pessoas com poder de decisão não perceberem que sem educação e cultura não é possível um país evoluir estamos em maus lençóis.


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